Arquivo da Categoria “Papo de boteco”

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Interessante como a obrigatoriedade de algo muitas vezes não reflete em algo positivo para o país. Eu poderia citar o voto obrigatório, mas isso é de praxe. Quem me disser que isso é benéfico para a democracia do Brasil está enganado ou fazendo piada. Vou falar de uma voz que brada por todo o território nacional, sem que ninguém ouça ou dê importância: A Voz do Brasil.

Li uma matéria da Revista ÉPOCA sobre o aniversário de 75 anos da transmissão desse programa. Fica clara sua origem fortemente ligada ao populismo (nosso amigo Getúlio Vargas) e seu viés publicitário das conquistas do governo. Confesso que não ouço rádio, e praticamente não assisto TV. Não tenho paciência, não gosto de ser obrigado a assistir ou ouvir um anúncio após o outro. Na internet eu posso ignorar os anúncios dos sites, ou configurar plugins para sequer exibí-los na tela. Mas há muito tempo, quando FM era minha única opção para ouvir músicas, ficava muito irritado com A Voz do Brasil. Sério, eu tinha vontade de destruir o rádio, ou derrubar o governo. O que fosse mais fácil.

O povo não quer esse programa, as empresas não querem. Países que obrigam rádios a transmitirem programa oficial do governo: Cuba, China e Coréia do Norte. Estamos no mesmo grupo, embora supostamente sejamos um governo democrático. As pessoas que defendem o programa com o argumento de que transmite informações importantes para locais em que não há TV ou internet não ouvem o maldito programa. Eu já tentei diversas vezes acompanhar, não consegui. E não faço parte da minoria, é só olharem os estudos relativos à audiência das rádios no horário.

Na matéria vemos inclusive exemplos de grandes tragédias que não puderam ser anunciadas porque ocorreram no horário do programa. Não há flexibilidade alguma, e o cidadão que realmente tem no rádio o único meio de informações precisa aguardar até as 20 horas para saber de algo.

Enquanto nos comportarmos como o celeiro do mundo, e mantivermos atitudes arcaicas como a obrigatoriedade do A Voz do Brasil, nossa relevância internacional continuará sendo a tríplice: turismo sexual, samba e futebol. E estou propositadamente sendo superficial.

Link para matéria no site da Revista ÉPOCA: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI152378-15223,00-A+VOZ+DO+BRASIL+UM+PROGRAMA+FORA+DE+SINTONIA.html

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Curioso como o mundo funciona (ou não). Alguns pequenos dramas do dia-a-dia acabam passando desapercebidos, não falamos muito sobre isso. Com muito sofrimento eu sobrevivi a poucas e boas, e aproveitando este espaço, vou compartilhar tudo com vocês (menos a seringa).

A ocorrência é comum. A menos que você seja um Cylon ou um Transformer (aquele sem pipi, do filme), uma hora vai precisar ir ao banheiro. E se há um banheiro público, vale o que diz o velho deitado: quem não tem cão, caça com espingarda. Eu sempre respiro fundo antes de entrar, pra oxigenar bem o cérebro, pois nunca se sabe quão tóxica pode estar a atomosfera do ambiente. Pois bem, entrei num banheiro público. E infelizmente tive a certeza de que o vaso sanitário é uma espécie de Kinder Ovo. A diferença é que a surpresa nesse caso nunca é agradável.

Regra básica de sobrevivência em banheiros públicos: evite ao máximo privadas com a tampa abaixada. Se alguém abaixou, é porque o que está lá dentro é digno de roteiro de filme do Hitchcock. Chances até de existir alguma forma de vida alienígena lá dentro.

Muito tenso viver em sociedade, de forma civilizada. Seria tão mais simples eu ir até uma moita, e me aliviar conforme a natureza pede. A natureza não faz um animal sair procurando um banheiro, com a patinha segurando a bunda. Ele faz quando tem vontade, e onde está mesmo.

Quando eu for presidente desta merda de país, anotem: vou liberar cagada em qualquer lugar, e não mais somente na Câmara.

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Como proposta da Oficina de Introdução à Redação de Humor, escrevi um autorretrato. Aí está:

“Não sou uma pessoa ordinária, estou mais para extraordinária, por vezes extraterrestre. Sinto-me um tanto deslocado nessa sociedade de pessoas comuns, gente do tipo pão com manteiga, nada de presunto com queijo. Mesma mesmice.

Vim do nem tão abençoado nordeste brasileiro, onde tive uma educação também pouco abençoada, eu diria até que endiabrada. Na verdade, aprendi quase nada, porra alguma. Seguindo a tradição, a modinha do momento, minha família foi para “Sumpaulo”, tentar a vida. Cheguei na 4a série do ensino fundamental sabendo multiplicar um pouco, e nada de dividir. Um nordestino como eu não saber dividir seria até esperado, afinal, já tinha só migalhas, ia dividir o quê? É um grande paradoxo também. Espera-se que pobres sejam generosos, uma bondade inerente, pelas dificuldades que passam desde cedo, uma suposta consciência social. Ao mesmo tempo, o instinto de sobrevivência faz da pessoa generosa em situações críticas o maior imbecil do mundo. Mas não vem ao caso, a divisão de que falei na verdade é puramente algébrica.

Minha adolescência foi um grande sucesso. Fui muito bem sucedido em não pegar ninguém. Isso só mudou próximo dos 18 anos de idade, porque passei a ser melhor relacionado. E só um amigo muito cara de pau mesmo me levaria pra um puteiro.OK, minto, ainda não fui a um desses antros de perdição.

Nos últimos 8 anos, inteligência ficou na moda, e se tornou sexy. Fui contemplado com esta nova realidade e pude conhecer com riqueza de detalhes, em alto-relevo, todas as garotas que eu devia ter conhecido quando era adolescente. Não tenho receio em me considerar inteligente, pois afirmando isso declaro que sou feio. Dessa maneira fica mais bonito.

No campo profissional eu sou bem definido: sou programador web trabalhando em um ambiente totalmente alheio. Não é ambiente Windows nem Linux. É o ambiente burocrático, como servidor público. Sou mais uma peça nesse grande dispositivo que existe para resolver os problemas resultantes de sua própria existência. É algo que me deixa muito satisfeito.

Sou aficcionado por eletrônicos, internet e games. Muitas vezes faço algo extremamente complexo sem uma finalidade prática, pelo simples fato de saber que sou capaz de fazer. São os famosos desafios. Tem gente que pula de pára-quedas. Sou um pouco menos radical. Não gosto de desfazer o penteado.”

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Antes Sol, do que mal acompanhado.

Obs.: retomando esta série de mínimas que eu mantinha na versão 1.0 do Papos de Boteco!

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Há algumas semanas abri mão de minha moto financiada e passei a andar só de ônibus, como uma política de corte de gastos. O bacana é que posso dizer que fiz isso em nome do meio ambiente, por deixar de lado o transporte particular e usufruir do transporte coletivo. Fica bonito numa camiseta né?

Andando de ônibus esses dias percebi que o assento ao meu lado foi o último dos livres a ser ocupado. Costumo observar com riqueza de detalhes tudo que acontece ao meu redor, e nos dias seguintes percebi que não era um fato isolado, mas um padrão de comportamento dos populares em relação a mim.

Quando resolvi pintar meu cabelo de azul, tive algumas motivações. Uma era exteriorizar minha diferença, um pouco pra mim mesmo, um pouco pro resto do mundo. Outra motivação foi realizar um desejo de criança, encantado pelos desenhos animados e histórias em quadrinho. Mas a motivação que quero discutir aqui é particularmente uma das mais relevantes: a de realizar um experimento social.

Por um experimento social entenda que busco observar e registrar os dados obtidos, a partir das diversas reações das pessoas e das interações que tenho com as mesmas. Quando se trata de humanos, não podemos determinar um exato padrão, mas algo próximo a isso. No geral, posso concluir que as pessoas tem medo ou reservas em relação ao que lhes é estranho. Nada fora do comum, é fundamental pra nossa sobrevivência, e pensando bem, até eu me comporto assim às vezes, meio sem saber. Não com pessoas de cabelo colorido, mas com algumas pessoas muito normais. Pessoas muito normais são imprevisíveis, e essa característica me preocupa.

Uma amiga minha de cabelo rosa uma vez disse que um mundo de pessoas coloridas seria um mundo melhor, mais divertido. Eu estou inclinado a concordar com ela, mas é meio difícil as pessoas fazerem isso. O medo dos olhares recriminadores é mais forte que qualquer destes desejos.

Um mundo de diferenças, numa mistura heterogênea com um mundo de mesmices. É assim que vejo, mas por trás de uma lente multicolorida. É sempre mais divertido, você deveria experimentar.

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Semana passada estive um pouco longe de São Carlos, milhas e milhas distante da cidade que muito venta, capital da tecnologia e  do clima. Cidade com a maior densidade de engenheiros por metro quadrado. Mas não qualquer metro quadrado, e sim aquele ao redor das menininhas da faculdade. Araraquara fede laranja. São Carlos fede cueca.

Enfim, com muito pesar fui a São Paulo, como um pobre bovino em um estranho e úmido corredor, rumo ao desconhecido. Há muito não viajava por aquelas bandas, e agora que sou um adulto com encéfalo supostamente desenvolvido, pude observar com mais substância muitas coisas e até mesmo refletir. A pior parte é refletir. Geralmente, vindo de mim, não é boa coisa.

Não fui por vontade própria, obviamente. Fui a trabalho, fazer um treinamento junto à empresa que desenvolveu o sistema que utilizo no exercício de minha burocrática função. Diria que foi válido, lá fui até apelidado de Blue Man por causa de meu cabelo. A viagem foi bacana porque abriu meus olhos para as diversas oportunidades que tenho ainda por aí como garoto de programa (programando em diversas línguas e linguagens, sendo um bom técnico em informática e dando boa assistência sempre que necessário).

Ao voltar para São Carlos, respirei fundo, e sentindo uma natural essência de cueca no ar, fiquei contente por estar de volta ao lar. Não por gostar de cuecas ou homens, minha namorada não me deixa mentir. Mas sinceramente, sair e se divertir por lá é bem mais caro, com o que ganho atualmente não podia durar muito. Que seja. Viva o boteco da esquina!

bar_cat

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