Mente clara como a água – Capítulo 2
Publicado por Rapha e arquivado em Especial - Mente ClaraContinuando esta série de artigos, falo mais sobre os fatos que motivaram minha mente clara como a água.
Se tem uma coisa que criança sabe, é ser cruel. São seres horríveis e sem coração, que os pais amam e defendem com unhas e dentes. Juro que na minha infância, se eu tivesse a tendência a ser sociopata que tenho hoje, seria responsável pela maior chacina na quarta série do ensino fundamental, cometida por um menor de idade. Vestindo calças amarelas.
Mas a minha fazendinha de ódio pôde ser canalizada para projetos mais politicamente corretos, sem cabeças rolando e pais se lamentando. Pelo contrário, minha mãe até chorou algumas vezes. Não sou bom na análise de semblantes, mas eu ousaria dizer que as lágrimas eram de orgulho. Por ser motivo recorrente de chacotas, inclusive por preconceito linguístico, já que pro pessoal de São Paulo é super divertido caçoar o modo de falar de um nordestino, eu me ocupei a estudar. Bastante.
Por razões aparentes, eu não tive muitos amigos na infância. Pra ser sincero, fora meu amigo imaginário (que me abandonou), era difícil manter diálogos sobre cotidiano, e sobre metereologia com alguém. Na época eu não tinha o hábito de hoje: por vezes encontro velhinhos por aí e puxo conversa, na esperança de haver uma troca interessante de conhecimentos. A maioria das vezes me transformo no muro das lamentações da Previdência Social, e embora não seja uma atividade remunerada, gosto de pensar que cumpri com meu papel na sociedade.
De fato, eu gosto de ser o que sou, essa forma um tanto disforme e azul, uma nuvem de pensamentos aleatórios, porém límpidos, como a água. Mas…e o bambu?
Até o próximo capítulo!


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