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Esse blog acaba de ganhar um toque feminino, afinal, o que seria de um boteco sem a maravilhosa existência da mulher? Nada. Cheguei pra abalar, e não sei se isso é positivo, mas é fato. Aproveitando que é minha primeira postagem, vou aos cumprimentos e farei minha apresentação. Meu nome é Érica Lopes e tenho 18 anos, aliás, teria se estivesse viva. Um dia, viajando de primeira classe em um dos aviões da Gol, tive o azar de estar no lugar certo, na hora errada: o avião caiu em um local dominado por canibais e foi aí que eu virei petisco. Agora, voltei para atormentá-los, mande o link desse blog para 587 pessoas ou a próxima ‘porção’ que você pedir em uma mesa de boteco virá com deliciosos pedaços humanos.

Nascida e criada em Minas Gerais, não sou do tipo ‘come quieto’, como são rotulados os mineiros. Acho que sou uma aberração até. Eu gosto é de extravasar, e não, não tem dedo de Cláudia Leitte nisso. Eu também não sou de falá as coisa iguar aquê povo da roça, sabe sô? Mió que tá tenu é usá o português certim, igual os povo da capitár usa. Tamém num gosdijuntá as palavra. Tive uma infância desprovida de maldades. Dançava e cantava ‘É o Tchan’ como quem curte uma música gospel. Nunca vi nada demais em ‘ela fez a cobra subir’. Eu era uma menina bastante ingênua, admito. O que não fui capaz de aprender nessa época, a adolescência me ensinou. Sabe aqueles amiguinhos que se sentem ‘os tais’ por fazerem piadinhas de duplo sentido com você? Pois é, quem nunca teve uma turma recheada deles que solte o primeiro pum. Mas também, o que se poderia esperar vindo isso de homens? Graças a essas ‘amizades’, aprendi a ficar esperta. Fui treinada pelo inimigo e, a partir de então, nunca mais caí em suas piadas, muito pelo contrário, os faço capotarem nas minhas.

Meu amor pelo português também tem seu mérito. E esse português não usa bigode, nem vai pra suruba com ‘marias’. Alguns o chamam de Aurélio, mas acho que isso é uma limitação. Só ‘Aurélio’ não define o meu amor. Não vou negar que ele, por muitas vezes, me serviu pra algumas rapidinhas no meio de muitos trabalhos, me disse duramente o que eu precisava saber, algumas vezes foi até enigmático (me explicando coisas sem realmente explicar), mas isso é bom, um ar de mistério no romance. Por muitas vezes ele não conseguiu atender minhas reais necessidades e nem satisfazer minhas loucas curiosidades, tentei ser amante do espanhol e do inglês, mas essa atração por meu tão amado português é mais forte que eu, então acabo como ‘mulher de malandro’, apanho, mas volto para seus braços.

Há quem diga que possuo a inocência de uma criança, digna de ter um unicórnio na minha garagem. Há quem diga que sou gelada como um iceberg, digna de destroçar Titanic’s. Há quem diga que sou engraçada como uma palhaça, digna de um Zorra Total. Há quem diga que sou uma boa ouvinte, digna de atendimentos de telemarketing. Mas, quer saber? Vocês me conhecerão melhor com o passar do tempo… e a única coisa que realmente vai passar aqui, comigo, é o tempo.

Essa coisa que dizem que lugar de mulher é segurando um ferro de passar e pilotando um fogão não tá com nada. Hoje estou aqui pra provar que mulher também teu seu lugar numa mesa de boteco, com papos tão bons (pra não dizer melhores) que os de homem. E numa vibe super coordenada sindética conclusiva, me despeço desse nosso primeiro encontro. Um brinde a mais nova freqüentadora dessa mesa! E amigo, pode fechar a conta.

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