Arquivo de 3 de julho de 2010

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Interessante como a obrigatoriedade de algo muitas vezes não reflete em algo positivo para o país. Eu poderia citar o voto obrigatório, mas isso é de praxe. Quem me disser que isso é benéfico para a democracia do Brasil está enganado ou fazendo piada. Vou falar de uma voz que brada por todo o território nacional, sem que ninguém ouça ou dê importância: A Voz do Brasil.

Li uma matéria da Revista ÉPOCA sobre o aniversário de 75 anos da transmissão desse programa. Fica clara sua origem fortemente ligada ao populismo (nosso amigo Getúlio Vargas) e seu viés publicitário das conquistas do governo. Confesso que não ouço rádio, e praticamente não assisto TV. Não tenho paciência, não gosto de ser obrigado a assistir ou ouvir um anúncio após o outro. Na internet eu posso ignorar os anúncios dos sites, ou configurar plugins para sequer exibí-los na tela. Mas há muito tempo, quando FM era minha única opção para ouvir músicas, ficava muito irritado com A Voz do Brasil. Sério, eu tinha vontade de destruir o rádio, ou derrubar o governo. O que fosse mais fácil.

O povo não quer esse programa, as empresas não querem. Países que obrigam rádios a transmitirem programa oficial do governo: Cuba, China e Coréia do Norte. Estamos no mesmo grupo, embora supostamente sejamos um governo democrático. As pessoas que defendem o programa com o argumento de que transmite informações importantes para locais em que não há TV ou internet não ouvem o maldito programa. Eu já tentei diversas vezes acompanhar, não consegui. E não faço parte da minoria, é só olharem os estudos relativos à audiência das rádios no horário.

Na matéria vemos inclusive exemplos de grandes tragédias que não puderam ser anunciadas porque ocorreram no horário do programa. Não há flexibilidade alguma, e o cidadão que realmente tem no rádio o único meio de informações precisa aguardar até as 20 horas para saber de algo.

Enquanto nos comportarmos como o celeiro do mundo, e mantivermos atitudes arcaicas como a obrigatoriedade do A Voz do Brasil, nossa relevância internacional continuará sendo a tríplice: turismo sexual, samba e futebol. E estou propositadamente sendo superficial.

Link para matéria no site da Revista ÉPOCA: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI152378-15223,00-A+VOZ+DO+BRASIL+UM+PROGRAMA+FORA+DE+SINTONIA.html

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