No Gravatar

Como proposta da Oficina de Introdução à Redação de Humor, escrevi um autorretrato. Aí está:

“Não sou uma pessoa ordinária, estou mais para extraordinária, por vezes extraterrestre. Sinto-me um tanto deslocado nessa sociedade de pessoas comuns, gente do tipo pão com manteiga, nada de presunto com queijo. Mesma mesmice.

Vim do nem tão abençoado nordeste brasileiro, onde tive uma educação também pouco abençoada, eu diria até que endiabrada. Na verdade, aprendi quase nada, porra alguma. Seguindo a tradição, a modinha do momento, minha família foi para “Sumpaulo”, tentar a vida. Cheguei na 4a série do ensino fundamental sabendo multiplicar um pouco, e nada de dividir. Um nordestino como eu não saber dividir seria até esperado, afinal, já tinha só migalhas, ia dividir o quê? É um grande paradoxo também. Espera-se que pobres sejam generosos, uma bondade inerente, pelas dificuldades que passam desde cedo, uma suposta consciência social. Ao mesmo tempo, o instinto de sobrevivência faz da pessoa generosa em situações críticas o maior imbecil do mundo. Mas não vem ao caso, a divisão de que falei na verdade é puramente algébrica.

Minha adolescência foi um grande sucesso. Fui muito bem sucedido em não pegar ninguém. Isso só mudou próximo dos 18 anos de idade, porque passei a ser melhor relacionado. E só um amigo muito cara de pau mesmo me levaria pra um puteiro.OK, minto, ainda não fui a um desses antros de perdição.

Nos últimos 8 anos, inteligência ficou na moda, e se tornou sexy. Fui contemplado com esta nova realidade e pude conhecer com riqueza de detalhes, em alto-relevo, todas as garotas que eu devia ter conhecido quando era adolescente. Não tenho receio em me considerar inteligente, pois afirmando isso declaro que sou feio. Dessa maneira fica mais bonito.

No campo profissional eu sou bem definido: sou programador web trabalhando em um ambiente totalmente alheio. Não é ambiente Windows nem Linux. É o ambiente burocrático, como servidor público. Sou mais uma peça nesse grande dispositivo que existe para resolver os problemas resultantes de sua própria existência. É algo que me deixa muito satisfeito.

Sou aficcionado por eletrônicos, internet e games. Muitas vezes faço algo extremamente complexo sem uma finalidade prática, pelo simples fato de saber que sou capaz de fazer. São os famosos desafios. Tem gente que pula de pára-quedas. Sou um pouco menos radical. Não gosto de desfazer o penteado.”

Um comentário para “Autorretrato”
  1. Eu adoro esse garoto!! É uma amigo mto especial… tenho mta sorte de tê-lo como amigo!

Comentar

Spam Protection by WP-SpamFree